“Nossa prioridade é a dor do povo”

Muita gente estranhou a decisão da direção local do PSOL, de receber apoios como de Lucas Barreto, vereador, eleito pelo PTB, e do deputado federal Davi Alcolumbre, do DEM, à candidatura do Clécio Luis, no segundo turno da eleição para a Prefeitura de Macapá. Foi um torcer de narizes que partiu, principalmente, de setores que colocam preceitos partidários, convicções pessoais e ideologias acima de qualquer outra coisa, inclusive do bem e do mal. Já pensei assim, felizmente num período bem curto de minha vida, mas logo em seguida aceitei que existem sim, coisas bem mais importantes que algumas das minhas convicções. Passei a pensar assim quando entendi que ninguém perde absolutamente nada, quando substitui uma ideia por uma ideia melhor. Nesse tempo aprendi que o interesse coletivo está acima do individual. Foi o que aconteceu no caso presente.

Você, por exemplo, tem certeza de que sabe como funcionam os esquemas usados pelas quadrilhas que se mantém ativas no universo político nacional? Tem ideia do volume de dinheiro público que movimentam, boa parte para manter seus representantes no poder? Não sabe?

Esse tipo de político se eterniza no poder mantendo a população desempregada, escolas sem qualidade, transporte coletivo precário, ruas sem condições de tráfego, praças abandonadas, coleta de lixo não feita, saúde pública na UTI, patrocinando a desesperança. Assim deixam o cidadão e a cidadã, absolutamente carentes e fragilizados, prontos para votar em qualquer um, em troca de alguma coisa que amenize seu sofrimento cotidiano. Daí vem a venda de votos, comprados com dinheiro roubado ao longo dos mandatos que o povo acaba dando de presente para essas pessoas.

Na recente eleição para a PMM por muito pouco isso não se repetiu. Estava tudo preparado para que fosse do mesmo jeito. Contratações ilegais, folhas de pagamento extras, dinheiro descontado dos servidores e não recolhido aos bancos que emprestaram, prestadores de serviços não pagos, tudo retirando dinheiro de um lado, e passando para o outro. Aparentemente não tinha como perder, mas perderam. Isso explica por que havia necessidade de uma união de esforços para derrotar os esquemas montados ao longo dos últimos dez anos. A diferença foi de pouco mais de dois mil votos, o que torna fácil avaliar que, se qualquer um dos apoios tivesse sido retirado, os quatrocentos e vinte mil habitantes de Macapá pagariam caro, por mais quatro anos, pelas irresponsabilidades cometidas até agora, que vão chegar ao conhecimento público a partir do início do ano que vem.

Acusado de incoerente por ter apoiado a decisão do PSOL, depois de ter “condenado” as alianças de Lula, devo lembrar que o problema ficou por conta do que o Lula deu em troca das alianças que fez. Ele não precisava pedir votos para a Roseana Sarney, nem beijar a mão do Jáder Barbalho em Belém. Aí a diferença. No mais, vou me servir de uma frase cunhada pela jornalista Márcia Corrêa durante o segundo turno da eleição. Quando alguém protestava contra os apoios que o PSOL vinha recebendo, ela dizia: “nossa prioridade é a dor do povo”. É o que vale.

Blog do Corrêa Neto.

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