Aberração Eleitoral

Nas ruas, materiais de campanha emporcalham a cidade: faixas, adesivos, cartazes, bandeiras, carros de som (com suas vinhetas e músicas irritantes)... O velho estilo permanece, a despeito dos ares de "modernidade" que os marqueteiros tentam imprimir aos candidatos-mercadoria.

Os institutos de pesquisa ditam como devem comportar-se cada candidato: o que falar, como se vestir, onde ir ou não ir, quais promessas a fazer em cada local. Quer dizer: tudo o que a empresa marqueteira quiser.

Na TV, nunca vi nada tão medonho! O tal “Programa eleitoral” deveria ser Aberração eleitoral. As propostas e bandeiras se repetem. Os jingles são medonhos. Os sorrisos forçados afrontam. O debate infantiliza a própria campanha. Exemplo disso é que tudo o que de pior surge na música nas vésperas da votação aterrissa aos montes na campanha eleitoral. Assim os “tchu e tchás” e “tchê tcherere tchê tchês” da rádio transformam candidatos, sérios ou não, em meros postulantes de Teletubbies.

“Dá vontade de dizer: Nem me conhece e vem pedir meu voto?” Noves fora a brincadeira, o engajamento midiático possibilitado pelos meios de comunicação é sintomático ao escancarar o descontentamento com o atual modelo de representação. É uma espécie de ativismo da má vontade: a indignação, sempre seletiva, é compartilhada aos pares e seguida por um alívio quase imediato de dever cívico cumprido. Um dever que vê na obrigação do voto um estorvo bianual.

Mesmo que ainda se reste à dúvida: “Os candidatos e futuros políticos são ruins porque o eleitor é preguiçoso ou o eleitor é preguiçoso porque os candidatos e futuros políticos são ruins?”

Antes é preciso definir: ruim por que e para quem? A resposta parece óbvia. O eleitor — essa "caça" valorizada durante o período de campanha — perde todo seu valor depois de ter "cumprido com o seu dever" na urna, ou seja, quando é transferido para a condição pós-abate. Nem a carcaça encontra mercado porque ninguém precisa de um eleitor que acaba de ser usado.

Premiados pela loteria eleitoral!

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