Quem não se comunica, se trumbica: Chacrinha faria 95 anos se estivesse vivo!

José Abelardo Barbosa de Medeiros era pernambucano nascido em Surubim, no Agreste. Ele veio para o Recife e começou a estudar medicina. Com pouco dinheiro, Chacrinha resolveu dar os primeiros passos para ser doutor em outra área. “Ele era durante um tempo assistente do discotecário. Depois viajou para o Rio de Janeiro como baterista do navio, na banda no navio, na orquestra”, explica Renato Phaelante, pesquisador musical. 

Navegando, o Velho Guerreiro chegou à cidade maravilhosa. No Rio de Janeiro, foi trabalhar na Rádio Clube em Niterói. A emissora ficava em uma chácara e a criatividade do gênio fez com que ele adotasse um nome. Surgia o mito: Chacrinha. Nas ondas do rádio ficou até 1955 com o programa que era um dos líderes de audiência.
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A fama levou o comunicador para a TV. Foi quando veio mais uma ideia genial. Da cultura pernambucana, levou a inspiração para o visual, virou uma marca eternizada na história. “Chacrinha se baseou muito no folclore nordestino pernambucano em particular para aquela figuração cênica na televisão. Ele era o velho do pastoril autêntico, sem dúvida, e aquelas meninas, as “chacretes”, as meninas do pastoril. Na televisão nacional, sem dúvida, o Chacrinha foi um grande comunicador e, além de tudo, ele era simpático ao público pela sua irreverência e o povo gosta disso e ao mesmo tempo servia na televisão, uma televisão feita pro povo, com o povo e para o povo. Essa é que é a verdadeira comunicação de massa”, diz Phaelante.

Chacrinha passou por várias emissoras até chegar à Rede Globo. Balançando a pança, buzinando a moça e sacudindo a massa, passou a ser campeão de audiência também na TV. O bordão “olha o bacalhau aí?”, saco de farinha jogado no auditório e as “chacretes” foram também ideia do comunicador.

Se de gênio e louco todo mundo tem um pouco, Chacrinha abusou. Tudo que foi feito por ele tinha o objetivo único de divertir quem o assistia. Mas a carreira de sucesso no Rio de Janeiro não afastou Chacrinha do estado onde nasceu. O Velho Guerreiro voltou várias vezes a Pernambuco. E não foi só a passeio. Durante a inauguração da Globo Nordeste o programa do Chacrinha foi transmitido do Recife para o Brasil. O enorme ginásio de esportes Geraldão ficou pequeno diante do gigante da comunicação. “O Geraldão estava lotado. Eu lembro que parte da minha família estava assistindo e parte também dos vizinhos. E eu me lembro que quando eu ganhei a gente teve que descer do palco e atravessar a multidão toda, foi uma coisa muito interessante atravessar aquela multidão com os seguranças abrindo passagem”, rememora o maestro Nenéu Liberalquino.

As lembranças são de um dia muito especial. Aos 12 anos e já cantando, Nenéu faturou o primeiro lugar no concurso de cantores infantis do Nordeste, no programa do Chacrinha. Depois disso não largou mais a música. “Eu acho que a partir daí eu senti na própria pele o gostinho de ser artista”, conta Nenéu. Hoje, ele é maestro da Banda Sinfônica do Recife.

Durante os programas que apresentou no estado, o apresentador também fez questão de rodar pela terra que ele tanto amava. “Eu fui cicerone dele aqui, eu era cicerone dessas figuras que vinham pra cá e o levei a Olinda, no Alto da Sé. Tomamos água de coco [...] ele realmente fechou aquilo ali, tivemos que fazer um cordão de isolamento”, lembra o pesquisador musical Phaelante.

Chacrinha lançou muitos nomes da música popular brasileira. O apresentador fazia questão de mostrar os nordestinos para o país. Alceu Valença, Reginaldo Rossi, Elba Ramalho e Raul Seixas passaram pelo palco do mestre da comunicação.

Em 1988 a televisão ficou de luto e o Brasil chorou. Aos 71 anos, Chacrinha morreu de problemas no coração. E quem tanto deu alegria ao país merecia uma bela homenagem do seu povo. “O maestro Edson Rodrigues, que era professor do conservatório, me chamou para fazer uma homenagem a Chacrinha. Aí ele me passou o mote ‘Roda, roda e avisa que a alegria foi pro beleléu’. E aí eu disse que ‘beleléu’ não estava legal, mas vamos lá, vamos fazer isso, gostei muito do mote. Fui pra casa, concluí, fiz a música, fiz o frevo, fiz a introdução [...] Roda, roda, roda e avisa que a alegria explodiu no ar...o Velho Guerreiro sorrindo, subindo, subindo, foi pro céu brincar...”, entoa o compositor J. Michiles.

Este ano, Chacrinha completaria 95 anos. O Velho Guerreiro mudou a história e o jeito de ver a televisão. Durante os 40 anos, a Globo levou, todos os dias, informação, entretenimento e responsabilidade social, seguindo os mandamentos do mestre: “quem não se comunica, se trumbica”.

Fonte: Globo.com

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