A impressão da verdade, que pode muito bem ser uma mentira

“Uma velha máxima diz que, na publicidade, não existe verdade: existe a imagem, a impressão da verdade, que pode muito bem ser uma mentira. Em outras palavras ‘não é o que você diz, é o que o outro entende’. Não é à toa que a política, área em que a verdade nunca foi prioritária, casou tão bem com a publicidade”. (Nelson Sá, jornalista e crítico de televisão, autor do texto “A Mentira e a Televisão”, constante do livro “Como não ser enganado nas eleições”).

Quantos de nós não sabemos de histórias de candidatos ou eleitores que se dispuseram a barganhar votos? Cestas básicas, material de construção, jogos de camisas para times de futebol, bolas, material escolar, remédios, cadeiras de rodas e até dentaduras fazem parte do que é oferecido e, infelizmente, aceito em períodos eleitorais.

Esses eleitores parecem não saber que o que lhes foi dado lhes será tirado posteriormente na forma de propinas, suborno, corrupção. Os custos desses benefícios são repostos para as contas desses políticos a partir do desvio das verbas do erário público ou ainda da contratação irregular de empresas para prestar serviços ou realizar obras no município, com a devida compensação desses “servidores” públicos com aumentos nos preços finais cobrados do governo (municipal, estadual ou federal).

E no final das contas, de quem sai esse pagamento adicional? Dos bolsos dos contribuintes... Aqueles mesmos que trocaram seu voto nesses políticos desonestos por telhas, cimento, camisetas, réguas, bolas ou dentaduras...

Há pouco tempo atrás escutei uma história que ilustra muito bem como esses hábitos perniciosos continuam freqüentes na história política brasileira. Segundo consta, um candidato a vereador resolveu se eleger buscando apoio na comunidade religiosa que freqüentava. Para tanto precisava do apoio dos líderes dessa igreja na comunidade onde morava e resolveu ir atrás desses religiosos. Ao aborda-los ficou sabendo que poderia ter todo o apoio se viesse a se empenhar na obtenção de material para a construção de um novo templo. Conseguiu esses recursos e se elegeu pela primeira vez.

“Se todos nós votássemos com mais razões e menos emoção, procurando ver o que representam e quem são realmente os candidatos, o que eles fizeram e falaram no passado, certamente teríamos um Brasil melhor”. (Boris Casoy, é jornalista e apresentador de telejornal; escreveu o artigo “A arte de enganar” que faz parte do livro “Como não ser enganado nas eleições”).

Numa segunda oportunidade escutou dos pastores que se obtivesse os recursos necessários para o acabamento interno da igreja, os votos estariam novamente garantidos. Deu certo.

Nova eleição e lá foi o tal candidato atrás dos ministros de sua igreja. Dessa vez eles pediram uma Kombi. O candidato, já experimentado na política, deu o automóvel, mas só passou o documento em nome da comunidade depois de eleito... Moral da história? Só trocamos as botas, mas continuamos, literalmente, “pisando na bola”...

Não é apenas de casos de compra de votos que padecemos no Brasil. Ainda há verdadeiros currais eleitorais, onde os modernos “coronéis” definem os votos de seus comandados e cobram fidelidade, caso contrário, como na República Velha, podem ocorrer demissões, surras, mortes...

Mesmo com todas as oportunidades de obtenção de informações, continuamos sendo enganados por políticos populistas, daqueles que vão as ruas na época das eleições, entram em bares para comer pastel e tomar café com leite, abraçam os populares, pegam crianças pequenas no colo, visitam fábricas e falam de seu passado humilde, participam de quermesses e festas para fazer o povo senti-los como parceiros...

Fonte: Planeta Educação.

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