A carta do Amapá que vai para o Mundo


Após um longo processo de discussão, o Amapá conseguiu convergir opiniões e transformou os anseios da população num dos mais importantes documentos contemporâneos da sociedade amapaense: A Carta do Amapá. Esta declaração escrita – que será apresentada ao mundo, na convenção das Nações Unidas, a Rio+20 – condensa princípios para a elaboração de um modelo que agrega desenvolvimento sócioeconômico com garantia da existência de recursos naturais para as próximas gerações.

A Carta do Amapá foi formatada no Teatro das Bacabeiras, em Macapá, durante o Seminário “Amapá na Rio+20”, que abarcou renomadas autoridades, locais e de fora do Estado, para discussão dos focos da convenção mundial: sustentabilidade, economia verde e redução da pobreza. Foram dois dias de debates e apresentações de quem já vivenciou a – bem sucedida – experiência de um modelo sustentável, no setor público e iniciativa privada.

Durante a oportunidade, o senador amapaense João Capiberibe palestrou sobre a prática do desafio de transformar o desenvolvimento sustentável em ações de governo – vivenciada quando era governador do Estado. Ele destacou alguns resultados do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), implantados durante sua administração, como o aumento da escolarização, pesquisas, expectativa de vida, índice do desenvolvimento urbano e indicadores ambientais. “As políticas trabalhadas deveriam ser seguidas pelos governos e não interrompidas, como aconteceu no Estado do Amapá durante muitos anos. A discussão da importância da sustentabilidade, atualmente, é um debate não apenas regional, e sim mundial”, afirmou.

O ex-governador e senador pelo Acre, Jorge Viana, destacou o papel das cidades amazônicas e a necessidade de direcionamento de políticas que as tornem sustentáveis e mais justas do ponto de vista social. Ele também propôs a criação do Ministério das Florestas e da Água. “Se tivermos esses órgãos federativos, certamente a Amazônia será incluída nas prioridades da política e programas do Governo Federal”, ponderou Viana.

Já o governador do Amapá, Camilo Capiberibe, palestrou sobre o desafio de desenvolver e preservar. Ele ressaltou que a participação do Amapá na Rio + 20 será, além de uma vitrine do Estado para o mundo, uma oportunidade para firmar parcerias, captar recursos para o desenvolvimento de um amplo programa de economia verde e aprimoramento do desenvolvimento sustentável. “Queremos explorar nosso potencial natural garantindo a preservação das nossas riquezas. Precisamos que haja preservação com promoção de riqueza e inclusão social para o povo urbano e o que mora nas florestas. Com a Carta do Amapá, nós chegaremos na Rio + 20 com o propósito de influenciar decisões políticas, que tragam resultados positivos para o desenvolvimento do nosso Estado, da Amazônia, do Brasil e do mundo”, avaliou o governador.

As cifras da preservação

Do setor privado, três experiências de sucesso mostraram que a iniciativa privada pode multiplicar seus lucros – e gerar emprego e transferência de renda – investindo com sustentabilidade. Durante suas considerações, o fundador da Natura, Guilherme Leal, explicou como a empresa conseguiu acumular riquezas conciliando negócios com justiça social e preservação ambiental. “Quando resolvemos entrar no ramo de produtos florestais, nós decidimos entrar adotando práticas de manejo, e conseguimos equilibrar uma relação de bem estar com a natureza. Conseguimos demonstrar que usar produtos de uma empresa compromissada com práticas sustentáveis ajudava a preservar os recursos florestais. Foi difícil, mas valeu a pena”, comemora o empresário, que hoje tem US$ 10 bilhões (Valor das Ações da Natura) de motivos para comemorar. Detalhe: antes de investir com sustentabilidade, a Natura era avaliada em menos de US$ 50 milhões.

Outro exemplo de como o desenvolvimento sustentável aplicado ao capital privado gera dividendos e benfeitorias sociais é o projeto do Grupo Orsa. Sérgio Amoroso, presidente da empresa, apresentou o Plano de Oportunidades e Negócios do Grupo Orsa para o Amapá –instalado em Laranjal do Jarí, município do sul do Amapá. Voltado para a exploração madeireira com práticas de manejo florestal, o projeto já gera, segundo Amoroso, 300 empregos diretos para a população jarilense.

Ao final do primeiro dia do seminário, o governador Camilo e Amoroso assinaram um Acordo de Cooperação Técnica, que visa o desenvolvimento comum de ações e negócios sustentáveis para o fortalecimento da região Sul do Estado. Camilo afirmou que o acordo prevê a regularização fundiária e o avanço das ações nos setores agrícolas e de agroindústrias, promovendo o avanço econômico da região Sul do Amapá e geração de 2 mil novos empregos.

Finalização

De acordo com a diretora-presidente do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Ana Euler, que preside a Comissão do Amapá para a Rio+20, ao documento aprovado ao final do seminário, serão incorporadas as propostas do setor privado, e mais três moções: Carta da UEAP (Universidade Estadual do Amapá), Carta da Guina Francesa e a Carta dos Indígenas do Amapá e Norte do Pará – todas aprovadas em plenária.

A Carta do Amapá pode ser lida, na íntegra, no link http://www.agenciaamapa.com.br/site/amapanario20/261. A Rio+20 ocorre de 13 a 22 de junho, na capital carioca.

Elder de Abreu

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