Cômico ou trágico?




Vira e mexe resolvem tirar alguma notícia velha do saco do esquecimento e torná-la novamente alvo de debate virtual. Dessa vez foi a notícia do Estadão de 2007 sobre o projeto de lei “bolsa-estupro”. Quem ainda não conhece o projeto, leia a notícia do Estadão.

É vergonhoso ver que um deputado com ideias como essa foi eleito. Seria uma ótima piada se não fosse real. Num país como o Brasil, com tantos problemas sérios, um projeto absurdo, desumano e cruel como esses é criado. Não só o projeto é de um absurdo surreal, como a defesa do mesmo também. Não irei discutir sobre a legalização ou não do aborto, já falamos sobre isso aqui no blog e nem de longe esse é o foco.

Para início de conversa, não me importa se o governante é evangélico, macumbeiro ou satanista. Pode ser o que quiser, mas é impraticável que se misture política com religião, o Brasil ainda é teoricamente um Estado secular e a criação de um projeto desses, por mais que nunca venha a ser aprovado é uma afronta a minha e a sua dignidade.

O auxílio a uma vítima de estupro nunca deveria vir de forma financeira. Porque dinheiro, qualquer mãe precisa para cuidar de um filho. Tenha ela sido vítima de estupro, ou não. Essas mulheres precisam de ajuda psicológica, porque com ou sem filho, sofrer um abuso sexual é um trauma que elas carregarão pela vida toda e sendo assim, o mínimo que elas merecem é o direito a abortarem o fruto desse ato.

O projeto e seus criadores em momento algum se importam com essas mulheres, defendendo a ideia de um psicólogo presente não para auxiliá-las mas para imporem suas próprias crenças religiosas às vítimas: “O psicólogo comprometido com a doutrina cristã deve influenciar a mulher e fazer com que ela mude de opinião. – defende Afonso.”

Há quem diga que o problema todo é a bancada evangélica e suas ideias absurdas, mas para mim, religião não dita caráter. Uma pessoa baixa e ignorante, continuará assim em qualquer religião que escolha. A ditadura evangélica fere e suja a minoria evangélica que não compactua com isso. Impor suas crenças é um ato absurdo e estúpido, mas a generalização também.

No final do artigo, somos brindados com outra declaração estupida do tal deputado que consegue ser ainda mais absurda: “se, no futuro, a mulher se casa e tem outros filhos, o filho do estupro costuma ser o preferido.”  Quer dizer então que além de afirmar que as mães possuem preferência entre seus filhos, essa preferência obrigatoriamente irá ao fruto de um crime sexual? O quão absurdo e inverossímil isso é? Não é preciso ser um gênio para saber que a realidade passa longe disso.

Um projeto desses não visa o auxílio necessário a uma vítima e nem a solução para o crime, pelo contrário, se baseia em crença religiosa para usar o dinheiro público como forma de consolação e caridade fazendo com que um crime brutal e hediondo ganhe facetas aceitáveis, consoladoras e até incentivadoras.

O projeto por mais que nunca venha a ser aprovado, não pode de forma alguma ser levado ao esquecimento. Gravemos os nomes e rostos de seus idealizadores para que uma vez fora de seus cargos políticos, nunca mais venham a exercer nenhum outro.

http://corramary.com/

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