O brasileiro e o limite do humor



Brasilero é um povo acostumado a se manter sempre na rédea. Já nasce cheio de limites e assim passa sua vida inteira. Sua vida tem limites, seus sonhos tem limites, seus desejos tem limites, suas vontades tem limites, seus protestos tem limites e consequentemente suas ações também.

É difícil explicar para quem nunca teve escolhas que as escolhas estão aí. É difícil explicar para quem tem como hábito se acostumar com as condições impostas, que essas mesmas condições só foram impostas por falta de reivindicação. Porque sempre há outro caminho, mas para quem prefere aceitar o inaceitável e tê-lo para si como correto, é missão impossível mudar essa mentalidade que já nasce programada.

E por esse mesmo caminho segue o humor. Num país onde Zorra Total é líder de audiência, com seu humor pobre e fácil, introduzir um tipo de humor que necessita um pouco mais de seu receptor não é tarefa fácil. E não estamos falando de gostos ou preferências, estamos falando de aceitação. Toda e qualquer forma de expressão tem que ser aceita. O humor, visto não só como forma de expressão mas também como arte, não pode possuir limites, é ridídulo e é a cima de tudo um atraso social.

E se por um lado brasileiro é preguiçoso pelas suas próprias causas, pelo outro é acostumado ao ato do benefício em cima do outro. Sendo que se envergonha e se indigna quando a cabeça pisada é a sua, mas quando surge a chance de se dar bem pisando na cabeça alheia, não pensa duas vezes.

Brasileiro é o povo que massacra o humorista na primeira página do jornal, mas anuncia o roubo do político de Brasília numa minúscula notinha perdida em qualquer canto desse mesmo jornal. Porque é mais fácil atacar um do que se defender de cem. Por um lado ele é brutalmente atacado e usando da mesma agressividade, ao invés de se virar contra seu agressor, transfere essa raiva para um terceiro que nada tem a ver com suas injúrias pessoais. É a lei do “se ele pode eu também posso”, fazendo com que a urgência de amar as pessoas como se não houvesse amanhã não passe de musiquinha tocada em fim de festa.

Enquanto as pessoas focarem em obter lucro em cima de tudo e de todos, procurando motivos pelo simples prazer de ferrar o coleguinha ao lado e principalmente enquanto admirarem esse tipo de atitude, estarão ocupadas demais usando a boca para denegrir o vizinho ao invés de usá-la para sorrir.

Não é o humor que possui limites, são as pessoas.

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