Bruna Surfistinha = Desculpa para virar puta!?

No meu ponto de vista, desculpem aqueles que não concordam, achei de uma leviandade inquestionável a postura de Raquel ou Bruna, sei lá de que forma chamo. Primeiro, imaginava que ela havia passado por dificuldades financeiras, vinha de uma família pobre e por isso envolveu-se com prostituição. Mas que nada, é mais um tipo de mulher que quando nasce pra ser devassa, é e não tem jeito. Pois tendo uma família que a acolheu, uma mãe super protetora, a mulher prefere ganhar 40 reais para manter relações intimas com que ela nunca viu na vida, convenhamos, pura sacanagem! 

O Filme conta a história de Raquel, interpretada pela atriz Déborah Secco, que é uma jovem da classe média paulistana, estuda em um colégio tradicional da cidade. A princípio o filme trás as confissões da adolescente em relação aos sentimentos que possuía pelos pais e seu irmão, mostrando o que lhe incomodava em conviver com sua família, a indiferença de seu pai, a super proteção da mãe e a esnobação do irmão. Raquel que apresenta ser uma garota introspectiva, não possuía amigos na escola além de receber várias provocações de seus colegas de turma. Tudo isso, a motivou a fugir de casa e se envolver no mundo da prostituição.
 

 No segundo desfecho do longa metragem, já é mostrado a iniciação de Raquel como prostituta e sua inexperiência com o mundo do sexo, neste período Raquel adota o pseudo-nome de Bruna, porém o decorrer da trama a garota começa a se desenvolver muito bem e fazer sucesso entre os clientes. Ao mesmo tempo o filme apresenta como é a rotina das garotas de programas trazendo os dramas e o cotidiano enfrentado por essas mulheres. E também apresenta como foi a inclusão de Raquel no mundo das drogas.

No terceiro momento, é trazido o ápice da trama, onde Raquel se destaca ainda mais nesse mundo do sexo. Ela consegue aumentar o “padrão” do atendimento dos seus clientes e começa a divulgar o seu trabalho como prostituta através de um Blog, onde descrevia o perfil de seus clientes e detalhava suas experiências com eles, e começa atendê-los em um apartamento alugado por ela na área nobre da cidade, com a ajude de uma amiga que conhecera na antiga casa de prostituição, conseguem tornar Bruna ainda mais famosa, e ela também adotando o codinome de Surfistinha, ficando assim conhecida como Bruna Surfistinha, nesta parte do longa também mostra o relacionamento de Bruna com um dos seus clientes, o Hudson, onde ambos percebem que entre eles há algo a mais do que sexo, nesse momento o mesmo propõem algo mais sério entre eles, mas o pedido é recusado por Bruna.

Outra prova que o problema dela não era questão financeira, familiar ou qualquer outra coisa, ela se envolveu com a prostituição por puro prazer. A história se contradiz, porque no inicio do filme ela conta que o trauma era devido a indiferença do pai, a ausência de um namorado. Mas, quando ela encontra alguém que resolve aceita-la do jeito que ela é, simplesmente ela revela a verdadeira personalidade dela que é a leviandade. 

Na quarta e última parte do final, mostra-se a decadência da personagem, Bruna se torna cada vez mais dependente das drogas, se torna uma pessoa arrogante fazendo as pessoas que lhe rodeiam se afastarem, inclusive sua amiga e sócia Gabi. De um modo geral esta parte do filme mostra a queda de Bruna Surfistinha com a diminuição de atendimentos de clientes. E é neste momento que Bruna busca auxilio ao lado do Hudson e pela primeira vez lhe diz o seu nome verdadeiro.

O que comprova, que ela decidiu ficar com Hudson, simplesmente por falta de opção. Os programas já não rendiam mais, no auge do sucesso e da prostituição ela despencou, além do vicio pela cocaína. A única opção que restou, foi assumir o relacionamento com Hudson, que ainda poderia lhe oferecer uma situação de vida mais confortável. 

 Quanto à produção do filme, existem vários pontos positivos, o filme é agradável, pois não possui apelo ao pornográfico, mesmo tratando da temática da prostituição. A atriz Deborah Secco incorpora muito bem o personagem da Bruna. E o filme é bem sucedido quando mostra a evolução da garota tímida e introspectiva até ser tornar uma garota sem pudores e ousada. E sem falar da trilha sonora que se encaixou muito bem em todo o filme. 

Como críticas negativas, tenho a destacar primeiramente o fato de o filme ter tido um final acelerado. Essa falta de conclusão da trama deixou a história um pouco vaga, outro ponto também que merece destaque como falha é a ausência de discussão sobre a vida sexual de Raquel antes de se tornar a Bruna surfistinha, isso absolutamente não foi mostrado no filme.
Verdadeira Bruna Surfistinha (Raquel).

Enfim, o filme tem suas falhas, mas mesmo assim isso é superado pela excelência da direção, da produção do filme e pelas ótimas atuações dos atores. Essa obra cinematográfica tem a classificação etária de 16 anos, mas é altamente recomendável para adolescentes e principalmente para adultos que são pais. O filme, Bruna Surfistinha, pode ser considerado importante e é uma boa indicação para se discutir sexo, drogas e prostituição. Tornando-o assim uma obra recomendável e de grande utilidade educativa que aborda temas atuais e importantes para refletir sobre a complexidade que é a formação do caráter humano que é um indivíduo mutável e altamente complexo. 

Obs: Também assisti "O Vencedor", recomendo o filme.  Dicky Ecklund (Christian Bale) é uma lenda do boxe que desperdiçou o seu talento e a sua grande chance. Mas seu meio-irmão Micky Ward (Mark Wahlberg) tentará se tornar uma nova esperança de campeão e superar as conquistas de Dicky. 

Treinado pela família e sem obter sucesso em suas lutas, Micky terá que escolher entre seus familiares e a vontade de ser um verdadeiro campeão. “O Vencedor” é inspirado em uma emocionante história real onde a maior luta de nossas vidas é a conquista dos nossos próprios sonhos. Vale a pena assistir!

Lílian Guimarães. 


12 Comentários em "Bruna Surfistinha = Desculpa para virar puta!?"

  1. Anônimo Falou:

    Primeiro quero parabeniza-la pela visão, gosto do jeito que escreves, sinto prazer em ler teus textos, delicio-me com cada paragrafo. Em segundo lugar quero dizer-lhe que apesar de não nos conhcermos tão bem, creio que eu conheça mais vc, do que vc a mim, quero que saibas que a te admiro demais, pela profissional que és e principalmente pela mulher que és. Alguém que conviveu com vc por quase dez anos, tece elogios infinitos ao seu respeito, e cada vez que procuro te conhecer mais, vejo o quanto és intensa e fascinante. Parabéns Lílian! Quanto o olhar sobre o filme, vc foi corretissima. Pq não entrevistaram os pais dessa mulher, para ouvir a versão deles. É muito fácil ela contar uma triste história e todos acreditarem na versão. Mulher digna não vira puta pra sobreviver, trabalha, rala pra vencer na vida! Gostei da audacia do texto.
    Renato Alcolumbre

    Anônimo Falou:

    Bora ver se vc aceita meu comentário nesse texto já que não aceitou no outro! Já te falei que sou fã dos teus textos e de ti tbm. Eu vejo que esse filme não se passa de uma putaria, contar uma história de uma mulher vadia, que faz a familia que abrigou ela sofrer, tudo isso pra virar puta. Ir morar no puteiro e ficar dando pra qualquer um em troca de 40 ou sabe lá quantos reais. Fala sério, pra mim essa vadia tinha que ser era exterminada. Otário é esse babaca que assumiu ela, pq agora ela não faz mais programa, pelo menos é o que ela diz, só que virou dj e quando veio aqui em macapá cobrou 20 mil pra dar um saidinha com um figura aí. Jorginho.

    Anônimo Falou:

    Gostei do texto!

    Anônimo Falou:

    Contrariando vc, acho q ela teve sim motivos suficientes pra virar prostituta. Era adota e dps ainda tinha um padrasto que a rejeitava. Ele deve ter tido sim algum motivo para agir da forma como agiu. Mas é válido todas as formas de pensamento. Leio todos os dias seu blog.
    Rizia Vieira.

    Anônimo Falou:

    Estás errada, não pode dizer q ela não teve motivo, vai que a garota curti viver assim, opção dela. Mas que devia ter pensado na familia tbm né. É isso aí, assim são os seres humanos. Bruna Savaste.

    O espaço é democratico, aceito todas as opiniões! Fico grata pela colaboração. Vou aceitando os comentários aos poucos.

    Anônimo Falou:

    Tanta raiva, cada um escolha a opção que mais lhe agrada, não concordo com o extermínio. Se todo mundo virar o exterminador do futuro aí fica complicado!
    Eu vou assistir pela Secco.

    Anônimo Falou:

    O vencedor é um filme realmente muito bom, gostaria que vc escrevesse mais sobre ele, gosto dos seus artigos. Júnior.

    Anônimo Falou:

    Também ficou faltando um comentário maior no filme Vencedor!

    Carlos Lima Falou:

    Lilian, pára o que vc estiver fazendo e vai assistir: "Diário de Uma Paixão". É um filme muito intenso, que emociona do início ao fim...
    ah.. se é que vc ainda não viu! rsrsrs beijo

    Anônimo Falou:

    Realmente faltou escrever mais sobre o vencedor, em breve prometo escrever. Quanto ao tal exterminio citado, acho q cada um faz o q bem quer da vida, mas desde q não prejudique ninguem. E aconselho q alugue, realmente Debora Secco tá muito bem no filme, para os homens é uma boa pedida. Lílian Guimarães.

    Anônimo Falou:

    Carlos, acho que ainda não assisti, mas não tenho certeza pq sou terrivel com nomes. Vou alugar daqui a pouco. Valeu a dica. Lílian Guimarães.

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