Amores impossíveis

Impossível é enganar a morte. Impossivel é vestir uma calça 36 depois dos 25 anos de idade. Impossível é não fazer careta comendo chouriço. Isso é impossível. Amores, não.

Amores impossíveis não precisam de tempo, de paciência ou de remédio. O que eles precisam é serem encarados como verdadeiramente são: Amores que não querem acontecer.

O que ocorre é que é mais bonito culpar o pobre do amor do que os envolvidos nele, ou na falta dele. Ninguém escreve livros ou faz filmes sobre pessoas com preguiça de amar. A verdade não vende. As pessoas querem sempre comprar a dor. Por mais mentirosa que a causa dela seja.

E coitado do amor. Não tem nada a ver com isso e sempre acaba levando a culpa. Tá ele lá, super disposto a nascer mas sem ninguém disposto a parir.

Quem já amou sabe o quão possivel o amor é. Quem não amou, sabe o quão acomodado ele pode ser. Ninguém tira a bunda do sofá por amores que se esqueceram de acontecer. Só o amor e o ódio movem. O desamor acomoda.

É ruim pro ego aceitar que aquela pessoa que você amou, não estava tão disposta a amar você de volta, e então você procura novos culpados. Culpa o amor, nunca o amado. Culpa Deus, que nem existe, mas tá lá levando a culpa também. Culpa a vida, que de alguma forma te avisou – ela sempre avisa – mas você resolveu não considerar. Culpa até mesmo você, mas o amado não. O amado é intocável. Ninguém pode culpá-lo de nada. Nem você. O amado tem a licença não tão poética assim de quebrar seu coração quantas vezes você deixar, e quantas não deixar também. O amado pode impossibilitar o possível, seja por preguiça, por capricho ou por falta de amor. Ele pode se retirar e voltar à cena quantas vezes e quando quiser, e você que antes era diretor, vira espectador da sua própria vida.

Os amores mentirosamente impossíveis são o que fazem valer a pena esse lance de amor. A graça do amor é sofrer por ele. A graça do amor são as madrugadas chorando no chão da cozinha, para no dia seguinte enxugar as lágrimas e ir em busca de um novo amor fresquinho, saindo do forno. A graça do amor é se quebrar e se reconstruir para depois se quebrar novamente. O amor é contrário a ele mesmo. Tá ruim, mas tá bom. Dói, mas conforta. É amargo, mas é doce. É vilão, mas é mocinho. Mas ele é possível. O amor é sempre possível.

Se o amor é uma merda, a ausência dele são as moscas que rodeiam essa merda.

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