Pai

Dia 21 de junho, exatamente 2 anos e 7 meses que meu pai se foi. Mas sinto todos os dias, horas, minutos e segundos, como se ele estivesse ao meu lado, cuidando de mim, orientando e acompanhando cada passo dessa caminhada pela estrada que se chama vida!

Dedico o texto abaixo do Padre Fábio de Melo ao meu querido e inesquecível Pai:

Quando o sol ainda não havia cessado o brilho, quando a tarde engolia aos poucos o dia e despejava sobre a terra os primeiros retalhos de sombra, eu vi que Deus veio sentar perto do fogão de lenha da minha casa. Chegou sem alarde, retirou o chapéu da cabeça e buscou ali um copo de água no pote de barro, que ficava num lugar de sombra constante. Ele tinha feições de homem feliz, realizado, parecia imerso na alegria que é própria de quem cumpriu a sina do dia e que agora recolhe a alegria cotidiana que lhe cabe.

Eu olhava e pensava, como é bom ter Deus dentro de casa, como é bom chegar a essa hora da vida em que eu tenho o direito de ter um Deus só para mim. Cair nos seus braços, bagunçar-lhe os cabelos, puxar a caneta do seu bolso e pedir que ele desenhasse um relógio bem bonito no meu braço. Mas aquele homem não era Deus, aquele homem era o meu pai, e foi assim que eu descobri que meu pai com seu jeito finito de ser Deus, revelava-me Deus com seu jeito infinito de ser homem.

Pai
Fábio Jr.
Composição : Fábio Jr.

Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
É que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
Lílian Guimarães. 

3 Comentários em "Pai"

  1. Anônimo Falou:

    Nossa Lílian, lindissimo! Lembro muito como vc e seu pai eram amigos. Vcs se entendiam muito, ainda deve doer muito né? Lembro que vc sempre teve um amor louco por ele e sempre estavam grudados. Desejo que Deus continue confortando seu coração e não tenho dúvida que ele continua do seu lado, não é a toa que vc tem esse brilho especial. Abraço forte do amigo Michel.

    Anônimo Falou:

    Dr. Lindembergh era fenomenal, tratava Lílian como Lilinha, completamente apaixonado por essa filha. Quando falava sobre vc Lílian , não tinha uma vez sequer que ele não enchesse os olhos de lágrima, sentiamos o orgulho que ele senti por ti estampado na face dele. Percebo que mesmo ele tendo partido a ligação de vcs não acabou. Tenha certeza que ele está cuidando de vc! Lembro tbm que naquelas nossas festas na sua casa em q ele participava, chegava uma certa hora em que ele cantava... "Lílian teus olhinhos verdinhos falam mim de carinho...". Entre outras declarações de amor. Não vale chorar menina do cabelo de sol, lembra? "Minha filha é um sol, o nome dela deveria ter sido sol, pois é irradiante e brilha como o sol". Minha Guimarães se cuida e pode contar com seu amigo irmão pro q precisar. Bj sol das nossas vidas! Serginho.
    Obs: Pq não to conseguindo postar com meu login google?

    Anônimo Falou:

    Serginhooo... Dr. Lindembergh tem razão, homem sabio aquele. Lilinha vc é sol das nossas vidas! Dani.

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