Circo romano: Menina mata desafeta sob as vistas do público.

O que uma menina de quinze anos fazia, às três horas da madrugada, em um bar, no bairro do Congós, rolando pelo chão de terra, em luta corporal com uma jovem de dezoito anos, que acabou morrendo depois de receber três facadas, uma na costa, outra no peito, e a terceira no olho?

O que faziam as pessoas que se encontravam no local? Até onde vai a insensibilidade humana, diante de um quadro de brutalidade desses? Quem estava se divertindo com a briga das duas jovens, o que sentiu depois da consumação da tragédia? Provavelmente nada.

Uma policial que estava de plantão na madrugada em que aconteceu o crime, disse ter ficado impressionada quando a menor infratora chegou à delegacia: “era uma criança, de pijama, que chorava muito, e dizia não acreditar que tivesse feito o que fez”, comentou.

Macapá é, faz muito tempo, uma cidade do desregramento, da falta de limites, da impunidade, para o que contribuem crianças, adolescentes, e jovens que não deveriam, mas estão nas ruas, varando noites e madrugadas, se tornando autores ou vítimas de toda espécie de crimes que se originam no álcool, na prostituição, na miséria e na fome. De vez em quando acontece uma ação, alguns menores são recolhidos, e tudo volta a ser como dantes. E ninguém pode ser culpado isoladamente. Há uma carência geral, que, no entanto pode ser mudada. E se for estabelecido um pacto entre o poder público e a sociedade, para tirar essas crianças das ruas, combatendo, em princípio os motivos que as levam para lá?

Se as instituições que existem para garantir a segurança de crianças e adolescentes estiverem estruturadas para cumprir essa missão, e a sociedade consciente da importância de sua participação nesse processo, as coisas podem mudar?

Claro que sim. Não com a velocidade que se costuma exigir, mas com a segurança que as coisas bem feitas costumam produzir.
 
Escrito pelo colega Jornalista Corrêa Neto: www.correaneto.com.br

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