Satisfação?



“Enquanto tiveres um desejo, terás uma razão para viver. A satisfação é a morte”. (George Bernard Shaw). 

A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina. A satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência. A satisfação simplesmente acalma, limita, amortece.

Por isso, quando alguém diz "fiquei muito satisfeito com você" ou " estou muito satisfeita com teu trabalho", é assustador.

O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a idéia de que desse jeito ta, basta.

Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue? E um bom livro, não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, distantes, pensando que não poderia terminar?

Não é? Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou Guimarães Rosa: "não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro..." 

Lílian Guimarães.


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